Como não manter o silêncio diante de tantos casos de violência contra a mulher?

Durante a quarentena os números de casos de violência doméstica estão subindo cada vez mais, então, como agir de forma assertiva?

Por Ellen Moraes Senra

A notícia é: “Número de violência doméstica cresce 50% durante quarentena”. A resposta: silêncio!

Vivemos em uma sociedade onde estamos preocupados com números relacionados às finanças, entretanto,  os índices que envolvem vidas não nos chocam tanto.

Sim, era esperado que o isolamento e a convivência formados por um número maior de horas gerasse um aumento nos casos de violência doméstica, mas em que momento isso se tornou tão irrelevante que falamos de vírus, economia, porém, nunca em medidas para salvar vidas de quem sofre, em sua maioria mulheres?

Poderia tocar aqui na tecla da sociedade machista, mas disso todos nós já sabemos, então, prefiro seguir por um caminho diferente e levantar o questionamento sobre a importância que damos à vida de mulheres que sofrem diariamente, caladas ou não, sendo violentadas fisicamente e psicologicamente.

E ouso ir além, levantando o questionamento do quão capaz de se solidarizar com essas mulheres, sem julgar ou questionar as razões para que elas se encontrem nessa situação.

Isso mesmo, há quem leia um artigo desses e pense: “Se fulana está nessa situação é porque gosta!”. Porém, entenda: “fulana” nenhuma gosta de apanhar, de ouvir que está acima do peso, de ser chamada de burra, de ser ameaçada diariamente, de ter seu comportamento e seus gostos pessoais questionados e ridicularizados, seja na frente das pessoas ou apenas nos bastidores do seu lar. Logo, quem somos nós para julgar?

“E ouso ir além, levantando o questionamento do quão capaz de se solidarizar com essas mulheres, sem julgar ou questionar as razões para que elas se encontrem nessa situação”.
 

Mais empatia e menos julgamento

Eu vos digo, não somos aqueles que devem julgar, mas sim aqueles que deveriam estender a mãos e perguntar: “Ei, você precisa de ajuda?”.

E devemos ainda ser aqueles que metem a “colher em briga de marido e mulher”, pois briga de casal não envolve humilhação ou agressão.

Vamos, então, deixar os porquês de lado e pensar no como ajudar, como sermos solidários, como deixarmos de lado nossos pré conceitos e exercitarmos nosso poder de nos colocar no lugar do outro, afinal, seja lá o que faça uma mulher acreditar que deve aguentar violência, entenda que está errado e que ela pode precisar de ajuda para compreender isso e não viver com o medo de ser repreendida também fora de casa.

Julgue menos, ajude mais. Isso pode mudar vários “mundos”.

Ellen Moraes Senra

Quem é Ellen Moraes Senra?

Ellen Moraes Senra é psicóloga, palestrante, escritora e professora universitária. Escreve livros para todas as faixas etárias, assim como também para o público negro, sempre com a proposta de que o diálogo, o autoconhecimento e o autoamor são as bases para a felicidade tanto consigo mesmo, quanto com as demais relações a serem construídas na vida.  

Dentre suas obras estão “Autoamor: um caminho para a autoestima e regulação emocional feminina”, “A psicologia e a essência da negritude” e “Feiurinha Sabe tudo”. Também é colunista do Jornal Empoderado e da Revista Statto. Saiba mais em @psicologaellensenra.

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